Espiritualidade e cura

Convidamos cordialmente para participar da palestra da psicóloga Simone Bracht Burmeister, sobre “Espiritualidade e cura”, no dia 21 de abril de 2018, no auditório das Faculdades EST (nosso antigo refeitório).

A palestrante tem formação em Dinâmica de Grupos e Pós-Graduação em Administração de RH pela ULBRA/RS e é Mestre em Gerontologia Biomédica pelo Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS.

Trabalhou entre 1993 e 2005 na área de Psicologia Organizacional em Recursos Humanos de grandes empresas, como Claro, Dell, Brasil Telecom e Kimberly Clark. Em 2006 iniciou o trabalho na área clínica, focando no atendimento de idosos e seus familiares e estudando esta etapa do ciclo vital.

Desde então vem desenvolvendo atividades referentes a esta etapa da vida nas áreas clínica e na organizacional.

Professora de Pós-graduação da FADERGS e autora do livro Família e Pessoa Idosa: Reflexão e Orientação – Editora Sinodal.

Acostumada a lidar com conflitos familiares na velhice, ela resolveu escrever o livro para compartilhar quais as crises mais comuns nesta fase da vida e aponta algumas soluções para lidar com o assunto.

A REFORMA E O NOSSO CONTEXTO

Reflexões sobre seu significado diante do fosso social

O fosso social Celebramos no Brasil, e o povo brasileiro está dividido. Celebramos inseridos nessa divisão. Não celebramos em sociedade harmoniosa. Um largo fosso social, secular e cruel, divide nossas cidades em centro e periferia; divide as pessoas em “famílias de bem” e “maus elementos”, conforme o jargão policial imitado por muitos meios de comunicação. Quando celebramos, não podemos ignorar essa escandalosa divisão social. Não podemos desviar os olhos e as falas desse profundo desamor, estruturado e legalizado, admitido e aceito, que divide o povo brasileiro em pessoas amplamente privilegiadas e pessoas totalmente esquecidas; em funcionários bem pagos que trabalham pouco e pessoas desempregadas, muitas vezes chamadas de vagabundas, porque não encontram emprego que mereça esse nome; em meninos soterrados de presentes e meninos que não têm nenhum brinquedo; em mulheres que viajam a Miami especialmente para fazer compras de supérfluos e mulheres que buscam comida para seus filhos nos lixões; em meninas que ostentam seus vestidos de grife e meninas que precisam prostituir-se para viver; dividimos nossas cidades em centro e periferia, em áreas para moradias confortáveis e áreas para favelas sem conforto; em “bairros nobres” e vilarejos de casebres feitos com trapos e farrapos.

Há uma classe dirigente do velho naipe, com políticos de famílias que são conhecidas desde os tempos do Império; uma classe sempre infiel ao povo, extremamente hábil para manter-se no poder através de manipulação ou de golpes, que perpetua a divisão e renova o fosso social, em todos os momentos nodais da história do Brasil. Conforme pesquisa recente do renomado economista francês Thomas Piketty e sua equipe, houve ligeiro melhoramento, entre os anos 2001 e 2015, da situação de vida dos 50% de brasileiros e brasileiras mais pobres, mas não houve diminuição significativa do fosso social, porque os 10% mais abastados aumentaram muito seus ganhos nesse período. Além disso, conforme os mesmos pesquisadores, essa melhora dos mais pobres foi seguida de uma queda, de um ano para cá, que significa um retrocesso de 19 pontos para o Brasil, no ranking mundial; uma queda que jogou nosso País novamente para uma das 10 mais injustas sociedades entre todos os países. Diante desse fosso social, injusto e desamoroso, mas também ameaçador e perigoso para “as boas famílias” do centro, que o criam e recriam, elas preferem apartar-se das periferias, com cercas eletrificadas, com muros altos, com cães ferozes, com guardas particulares e com sete chaves, a exemplo do “apartheid” racial da África do Sul que tanto criticávamos; as famílias que a si mesmas se consideram “famílias de bem” preferem apartar-se a repartir, em troca da paz social, privilégios cruelmente construídos no decorrer dos séculos.

Não podemos celebrar os 500 Anos da Reforma, se ignoramos essa realidade; não podemos celebrar nada quando fazemos de conta como se esse fosso social não existisse, porque ignorá-lo significa concordar com ele, significa ser cúmplice, significa perpetuá-lo. Não, não existe neutralidade. Não existe celebração neutra. Quem pretende ser neutro já definiu sua posição e já optou pela situação existente, pelo “status quo”; quem pretende ser neutro já se decidiu pela permanência do fosso. Não existe celebração neutra, porque a celebração sempre será feita sob a perspectiva de um dos lados do fosso. Os celebrantes sempre estarão identificados com um dos lados. Por isso, quando celebram como cristãos, seguidores do Nazareno que foi pregado à cruz porque optou pelo lado dos excluídos, precisam perguntar de que lado do fosso se posicionam, sob a perspectiva de quais dos dois lados analisam a realidade brasileira e enaltecem os reformadores. Por esse motivo, comunidades e colegas do ministério e padres que celebraram ecumenicamente os 500 Anos da Reforma, em várias cidades, fizeram bem quando tomaram posição diante do escandaloso e vergonhoso fosso social que divide brasileiros e brasileiras desde as caravelas de Cabral. Fizeram ainda melhor, quando leram o contexto da celebração com os olhos dos vencidos, dos que foram feitos perdedores; quando analisaram a realidade contextual a partir da perspectiva daquele lado do fosso em que estão as vítimas de uma organização social cruel; uma organização social que os excluídos não ajudaram a formatar, mas sob a qual eles sofrem.

A fé dos reformadores A fé dos reformadores gira totalmente em torno da JUSTIFICAÇÃO POR GRAÇA – “sola gratia”. Eles proclamam que Deus DECLARA-NOS justos por soberana gratuidade e por amor. Não somos justos, mas Deus nos atribui a dignidade de sermos justos. Cabe a nós nada mais do que acolher essa graça com a nossa fé somente – “sola fide”. Qualquer tentativa nossa de produzir obras de merecimento, através de nossas realizações e conquistas, é falta de fé, é falta de confiança na graça de Deus e, portanto, afastamento de Deus, pecado. Esse é, na verdade, o pecado original na visão dos Reformadores: a falta de confiança na graça de Deus. Porque a falta de confiança nos leva a querer produzir méritos próprios para nossa justificação. Méritos com os quais queremos distinguir-nos daquelas pessoas que julgamos não terem méritos. Podemos substituir a palavra “justificação” pela palavra “aceitação”. Somos dignos de aceitação porque Deus nos atribui essa dignidade, não porque a conquistamos através da nossa origem, da nossa aparência, da nossa posição social, ou através de qualquer outra realização que nos rendesse méritos. Deus nos ATRIBUI a dignidade de sermos aceitos. Basta aceitá-la em fé. Podemos comparar essa aceitação com a maneira como os pais aceitam a vinda de uma criança. Esperam-na com amor, preparam tudo para acolhê-la bem, alegram-se e recebem-na sem perguntar o que ela realizou para ser aceita com amor. A dignidade para ser acolhida reside no amor dos pais e das mães. É o amor de mãe e de pai que confere dignidade à criança para ser aceita. A dignidade não reside nas realizações da criança que, afinal, ainda nada realizou.

A liberdade cristã A mensagem que anuncia aceitação por graça e fé é notícia libertadora. Ela nos diz que somos aceitos sem a necessidade de realizar qualquer feito para merecer essa aceitação. LIBERDADE! Já não precisamos nos estressar em busca de merecimentos; já não precisamos correr, incessantemente, atrás de medalhas e louros, porque já estamos aceitos. Somos livres. Fomos libertados de nós mesmos, do nosso medo de não sermos dignos de aceitação, de não termos realizado o suficiente, de não sermos suficientemente bons. A graça que acolhemos somente com fé – “sola fide” – liberta-nos de nós mesmos para que possamos voltar-nos aos nossos semelhantes. Desocupados da incessante busca de méritos, desocupados de nós mesmos, temos as duas mãos livres para os nossos semelhantes. Então, a graça de Deus poderá agir em nós como energia divina, no sentido de conferirmos aceitação também aos nossos semelhantes, sejam eles quem forem, sejam quais forem suas limitações, seja qual for sua origem étnica, seja qual for seu tropeço, seja qual for sua situação social. Não sou eu mesmo, então, quem age, quando acolho meu semelhante. É a graça de Deus – o saber-me aceito incondicionalmente – que age em mim. Por outro lado, quando não acolho a graça, continuarei correndo para acolher méritos, e quanto mais acumular méritos, tanto melhor me considerarei em relação aos meus semelhantes, que desprezarei como menos dignos para os direitos que pretensamente cabem a mim e não a eles, porque os vejo como menos qualificados para os privilégios que eu gozo. Desprezo-os, seja porque tenho um bom emprego e eles não; seja porque tenho uma caderneta de poupança gorda e eles nem conta têm; seja porque posso encher até em cima o carrinho do supermercado e consumir mais do que eles; seja porque sou branco e ele indígena; seja porque sou homem e ela mulher; seja porque sou heteroafetivo e ele homoafetivo; seja porque sou descendente de imigrantes e ele descendente de escravos; seja porque eu tive sucesso e ele fez bancarrota. Quem constrói sua vida sobre os pilares do mérito costuma odiar os pobres, porque os considera sem méritos. No entanto, todos estamos em nível igual “coram Deo”, isto é, aos olhos de Deus, porque “todos pecaram e carecem da graça de Deus – Romanos 3.21-26. Portanto, a fé que confia na graça liberta as pessoas da necessidade de girarem em torno de si mesmas e capacita-as, assim, para que possam perceber seu semelhante na situação dele. Liberta-as e, ao mesmo tempo, sujeita-as, como escreveu o Reformador: “Um cristão é um livre senhor sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém” (acrescento: Não estou sujeito nem ao príncipe, nem às tradições, nem aos tabus, nem à moral local, nem ao bispo, nem ao delegado de polícia, nem ao quebra-molas, nem à fila de espera, nem ao professor, nem ao “bicho papão”, já que minha aceitação não depende deles). Por outro lado, “um cristão é um servidor de todas as coisas e está sujeito a todos”. Foi libertado pela fé, mas está sujeitado pelo amor, porque vive em sociedade e, por isso, respeita as leis e as autoridades (inclusive o bispo, o quebra-molas e a fila de espera), não mais por obrigação e por causa da lei, não mais de fora para dentro, mas pela vontade espontânea e livre que nasce de dentro para fora. Libertado e livre na fé, sujeita-se no amor. O amor não como produção própria, mas como fruto da graça que age dentro dele.

O pecado Para o reformador Martim Lutero, o maior pecado de todos é querer conquistar aceitação através de méritos, de louros, de realizações, como fez o filho mais velho da conhecida parábola que fala do pai bondoso e dos seus dois filhos perdidos, também conhecida como “Parábola do Filho Pródigo”, que encontramos em Lucas 15. O filho mais novo, que foi para a cidade, se deu mal e foi parar entre os porcos (deu-se mal como milhões de brasileiros e brasileiras se dão mal, porque migram despreparados para a cidade; porque foram expulsos do campo; porque eram peões de estância, agregados, meeiros, parceiros, posseiros que sobraram quando, a partir de 1964, a terra foi mais uma vez concentrada e passou a ser lavrada por grandes máquinas). O filho mais novo se deu mal na cidade, mas quando volta (em nossos dias, poderia voltar como sem terra assentado), é recebido com festa pelo pai. O filho mais velho, no entanto, argumenta com seus méritos, considera-se mais merecedor que seu irmão, não o aceita e distancia-se dele. Ao se distanciar dele, distancia-se do pai (não volta ao pai, do qual sempre esteve geograficamente próximo, mas emocionalmente distante). O filho perdido, portanto, é o irmão mais velho, e a parábola não revela se ele volta ou não. Talvez acabe contratando um jagunço para matar o irmão mais novo. Ouvimos, pois, essa conhecida parábola como alerta, quando corremos atrás de louros e acumulamos méritos; quando nossos pretensos méritos nos fazem cair na tentação de pensar que somos mais merecedores que nossos irmãos; quando caímos na tentação de apontar para a falta de méritos dos nossos semelhantes.

As duas asas Disse o reformador Lutero que “toda a vida cristã consiste de dois polos: a FÉ que acolhe o amor de Deus e a PRÁTICA que leva esse amor aos semelhantes”. Podemos comparar essa realidade cristã com uma borboleta e seu par de belas asas. Com uma asa somente, a borboleta não consegue levantar voo e nem visitar as flores. Com uma asa somente, também a fé cristã é incompleta e não consegue “levantar voo”. Devemos ainda acrescentar: Quando o amor – que é a prática da fé – atua na organização da convivência humana (ou seja, na política) ele muda de nome e passa a chamar-se JUSTIÇA SOCIAL. A justiça social é o amor ao próximo que atua na organização da convivência humana, na política. A justiça social que está tão ausente na realidade brasileira, apesar de toda religiosidade, apesar de tantos améns e aleluias, apesar de darmos os nomes de inúmeros santos a prédios, ruas, parques e até a linguiças e manteigas. Por que será que os cristãos e as cristãs não conseguem convencer os políticos brasileiros a darem um significado melhor à sua prática política? Com certeza, porque, muitas vezes, falta à religiosidade de brasileiros e brasileiras uma das asas, a segunda asa, a asa da prática do amor; a prática do amor que quer avançar para além do relacionamento individual; que quer avançar até a área da organização da convivência humana, até a área das decisões políticas, até a área que tem a ver com a atividade sadia da política; a asa da vida cristã que se chama ética social, que se chama justiça social. Não foi à toa que o reformador Lutero escreveu mais de uma vez aos príncipes para dizer-lhes que servissem seus súditos e não se servissem a si mesmos.

Educação Os reformadores exigiam que ao lado de cada igreja fosse construída uma escola, até que TODAS as crianças de todas as famílias estivessem matriculadas. O reformador Johannes Brenz, que atuou na cidade de Schwäbisch Hall, quando assumiu os trabalhos, em 1521, ordenou: “Nenhum centavo seja gasto em catedrais e santuários antes que todas as crianças de todas as famílias frequentem as escolas”. Não por acaso, aquela região apresenta, há muitos anos, uma qualidade de vida que conta entre as mais elevadas do mundo. Nos mesmos anos que Johannes Brenz promoveu a construção de escolas, o Brasil iniciava uma economia baseada na escravatura, que durou quase 400 anos. Durante esse longo tempo, somente um ou outro filho (somente rapazes) da Casa Grande era enviado para estudar em Lisboa, Coimbra, Paris. De lá voltavam “doutores” (doutores, no mais das vezes, em vida noturna), o que lhes dava créditos para assumir bons empregos públicos para servirem a si e seus pares; para elaborarem privilégios e penduricalhos que, até os nossos dias, pagamos como “direitos adquiridos”; para realizarem “façanhas que nos sirvam de modelo” e que exaurem os orçamentos públicos, a exemplo do estado do Rio Grande do Sul.

O trabalho      Até os dias dos reformadores, entendia-se que as pessoas podiam servir a Deus somente como clérigos (padres, bispos, freiras, monges) Por isso, o jovem estudante Lutero, quando se assustou com um raio que caiu perto dele, apavorado prometeu: “Ajuda-me Santa Ana, e vou ser monge” (ajuda-me e vou servir a Deus, vou ser uma pessoa boa, vou reunir méritos para merecer aceitação, vou entrar no convento). Mais tarde, ele diria: Cada trabalhador serve a Deus quando faz seu trabalho profissional com dedicação e responsabilidade, porque servirá seu semelhante; o mecânico que faz um bom serviço para evitar acidentes; a professora que educa a criança; o agricultor que produz alimentos; até mesmo a mulher da roça que limpa o estábulo depois da ordenha; ou a menina que balança o berço para ninar seu irmãozinho. Esses ensinamentos dos reformadores criaram um conceito novo do trabalho e valorizaram-no sobremaneira. O trabalho passou a ser visto como serviço prestado a Deus, uma vez que é um serviço prestado ao semelhante; passa a ser visto como uma expressão de fé mais valiosa do que qualquer oferta de sacrifícios e tão valiosa como qualquer ritual religioso. Naqueles mesmos anos, os trabalhadores brasileiros (os poucos que eram livres) iam ao trabalho em fatiota e gravata, acompanhados de escravos que levavam as ferramentas. Assim, eles protegiam-se da “vergonha” de serem reconhecidos como trabalhadores braçais, pois o trabalho braçal era visto como humilhante e apropriado para escravos.

Ética Todos somos limitados. Todos e todas somos sujeitos ao erro. Em outras palavras: “Todos pecamos e carecemos da graça de Deus” – como escreve o Apóstolo Paulo, na sua Carta aos Romanos, 3.21-26. A humildade de reconhecer nossas limitações e, consequentemente, a disposição de depender da graça, essa humildade é o centro da ética dos reformadores. Ela nos diz que todas as pessoas estão no mesmo nível diante de Deus e que elas têm a mesma dignidade (porque se trata de dignidade atribuída e não conquistada); essa humildade de saber-se dependente da graça, assim ensinam os Reformadores, nos diz que nossos semelhantes têm os mesmos direitos que nós, por dependerem também da graça (por serem também limitados, a exemplo dos paralíticos, dos lunáticos, dos endemoninhados, das pessoas acometidas de toda sorte de enfermidades, que Jesus visitou, por primeiro, quando iniciou seus trabalhos na Palestina (Mateus 4) – dos fracassados, dos derrotados, dos perdedores, dos desempregados, do Zaqueu que precisou aprender a ser honesto (Lucas 19), das Marias madalenas com seus sete demônios (Lucas 8.2). Todas essas pessoas estão no mesmo nível. Todas são iguais em dignidade, porque sua dignidade é atribuída, não conquistada e, quando essa dignidade está soterrada de lama, por causa de erros próprios ou por causa de erros cometidos por outros, cabe-nos desenterrar a dignidade encoberta. Por serem todas iguais em dignidade, as pessoas já não estão divididas, em méritos para aceitação, “nem em gregos e judeus, nem em homens e mulheres, nem em libertos e escravos, uma vez que todos somos um em Cristo Jesus (Gálatas 3.28). E eu acrescento: já não deveríamos estar divididos em magistrados que merecem gorda Bolsa Moradia em cima dos seus gordos salários, além de aposentadorias múltiplas, com mil penduricalhos, e mães que foram feitas pobres e são odiadas por causa de uma mísera Bolsa Família.

Corrupção – Honestidade Na primeira das famosas 95 Teses, o reformador Lutero escreve: “Ao dizer ´Fazei Penitência` nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência”. Portanto, o arrependimento e a penitência são uma espécie de consulta que fazemos a nós mesmos; são uma autoavaliação, sempre renovada; são uma olhada no espelho, à luz da vontade de Deus, que desperta em nós a honestidade de dentro para fora; uma honestidade que é uma postura de vida, muito mais profunda do que um gesto externo; muito mais autêntica do que a coação da lei que vem de fora para dentro e que alguém cumpre apenas por obrigação e por medo de ser flagrado no erro. Honestidade nascida de arrependimento e penitência é postura de vida, é jeito de ser, que brota de dentro para fora; é conversão e, se necessário, mudança, meia volta, correção de rumo. Na explicação do Sétimo Mandamento – NÃO FURTARÁS – o reformador explica: “Devemos temer e amar a Deus e, portanto, não tirar os bens do nosso próximo nem nos apoderar deles por meio de mercadorias falsificadas ou negócios fraudulentos, mas devemos ajudá-lo e conservar e melhorar seu meio de vida”. Imaginemos a prática desse mandamento na realidade brasileira atual!

Como podemos ver, a Teologia dos reformadores, sua fé e sua ética, seus conselhos e ensinamentos são de grande atualidade e podem servir-nos de orientação, seja em nossa vida particular, seja em nossas atividades que beneficiam a coletividade. O evangelho na prática é transformador, libertador, quem sabe, uma revolução social!

Silvio Meincke 1957-61 – Pastor emérito da IECLB, vive atualmente em Schwäbisch Hall, Alemanha. Vinculado à PPL, atua como apoiador de causas sociais e emancipatórias.

Correspondência recebida

Prezada Christiane, boa tarde,

primeiramente peço desculpas por não ter mais entrado em contato, mas gostaria de compartilhar que a nossa tão esperada quadra de vôlei já está em uso, gostaria de agradecer a você e também todo o pessoal do IPT, graças a vocês podemos ter mais qualidade no nosso hobby dos fins de semana. Ainda temos alguns detalhes para fazer como pintar as tabelas de basquete e detalhes entre as quadras, mas mesmo assim, a quadra ficou bem bonita.

Att. Tiago Schroeder

Leandro Silva Telles 1946-48

Nasceu em Alegrete, em 1929. Faleceu a 9 de junho 2017, em Porto Alegre. Estudou Direito, História e outras. Posteriormente estudou Teologia Luterana (EST), na década de 60.  Sempre foi um membro ativo e interessado nas coisas da comunidade de Porto Alegre. Dedicou-se à historiografia alemã de Porto Alegre (por essa motivação estudou teologia conosco).

Leandro  escreveu o magistral livro “Hospital Moinhos de Vento 1912-1972″ com muitas fotos.  Escreveu, no mesmo estilo, o livro ” Do Deutscher Hilfsverein ao Colégio Farroupilha – 1858/1974″. Aos 100 anos do Colégio Farroupilha, este livro serviu de base para um Livro/Álbum fotográfico. Além disto (se não me falha a memória) escreveu um livro igual sobre o “Deutscher Turnverein – SOGIPA”, do qual não tenho um exemplar.

Leandro esteve em muitas comissões na CEPA (Comunidade Evangélica de Porto Alegre), ajudando a organizar a Comissão do Acervo Histórico da CEPA, a Comissão de restauração da Igreja Christo no Leprosário, etc, sempre animando com sua memória e documentos que colecionava.  Seguramente, na sua casa há mais documentos históricos guardados,  do que podemos imaginar, que poderiam enriquecer o Arquivo Histórico da IECLB, do Sínodo Riograndense e do IPT.

             Carlos F R Dreher 1956-61

CARTA AOS EX-ALUNOS

Prezados Ex-Alunos do IPT

Com esta carta queremos intensificar e melhorar nossa comunicação com vocês e pedir seu apoio para algumas necessidades urgentes dos estudantes de teologia e de reformas no antigo prédio do IPT.

Assim, enviamos essa carta pelo correio, mas também gostaríamos de fazer um envio eletrônico para aqueles que aceitarem ler o AltschuelerBrief e as correspondências nos seus computadores ou celulares. Nossa intenção é poupar papel para sermos ecologicamente corretos e também diminuirmos os custos de correio, mas para tanto pedimos que entrem em contato com o Gilberto Winter [gilrwin@hotmail.com], coordenador do site, para informarem seus endereços eletrônicos. Lamentavelmente alguns ABs estão retornando, devido à mudança de endereço postal não informado. É óbvio que continuaremos enviando material pelo correio para quem não tiver endereço eletrônico e para os que queiram recebê-lo impresso. Ninguém vai ficar sem informação. E seremos muito gratos se alguém quiser assumir os custos do próximo Altschuelerbrief. O custo é em torno de 2800,- reais para impressão de 800 exemplares.

A diretoria está se reunindo mensalmente para decidir os assuntos a serem resolvidos, como por exemplo, a organização do Dia dos Ex-Alunos ou o destino do dinheiro confiado a nós. Vale lembrar que a diretriz em assembléias anteriores é investir em pessoas e não em obras. Mas o prédio H, que é o antigo IPT, necessita de reformas e lamentavelmente não há recursos suficientes. Assim, colocamos a possibilidade, para quem quiser e puder mostrar a sua gratidão pela vida bem sucedida devido ao estudo e à educação recebida no IPT, de fazer doações vinculadas e específicas para as obras de reforma do antigo IPT. A administração da EST nos informou as prioridades para dar continuação às obras previstas:

  1. A) Conclusão das reformas do 4º pavimento do prédio H. Essas reformas contarão com o apoio parcial da Igreja Evangélica da Baviera. Havendo, assim, a necessidade de complementar os recursos para as reformas, sugerimos que a Associação dos Ex-Alunos contribua com o item:

Rede elétrica: material e mão-de-obra 21.600,00 –

  1. B) As reformas das salas do 2º pavimento ainda não têm apoio:

Substituição de assoalho em 08 salas de aula – valores estimados para 320m² – materiais (tábuas e lixamento) e serviços de mão de obra – 44.800,00

Para as obras já tinha sido feito uma doação vinculada de 18.000,- reais para a campanha “Iluminar os caminhos da EST,” que já foi repassada para EST com a finalidade específica de trocar as lâmpadas convencionais por lâmpadas LED; assim a EST economizará energia elétrica.

Podemos ler o histórico e o andamento das obras no final deste texto.

  1. C) A tecnologia está avançando e a comunicação entre países distantes parece não ter limites. Assim já estamos transmitindo o culto no Dia do Ex-Aluno via internet aos ex-alunos residentes no mundo inteiro. No próximo Dia do Ex-Aluno prevemos uma palestra sobre

A Face Desconhecida de Lutero

que gostaríamos de transmitir para vários grupos mundo afora e que também ficará disponível como material de estudo para os estudantes em forma de DVD. Para esse empreendimento a EST necessitaria de uma câmera de filmagem com requisitos mais avançados. O orçamento da filmadora ficará em torno de 7000,- reais. E, pensando bem, de qualquer forma a presença das F.EST em vídeos na internet é imprescindível.

Fizemos uma reunião com P. Rodolfo Gaede, responsável pelo FAPET (Fundo de Apoio para Estudantes de Teologia), e com o Pastor dos Estudantes Antônio de Oliveira para vermos as prioridades das necessidades dos estudantes. E vimos que a necessidade maior é a falta de oratória e comunicação, como a formação na língua portuguesa, a falta de conhecimentos gerais e da habilidade de se organizar – enfim, elementos e habilidades que aprendemos no IPT, mesmo vindo de lares mais humildes. A AEAIPT já cobriu as despesas de um curso de oratória e comunicação como também algumas aulas de língua alemã para estudantes que farão semestres de intercâmbio na Alemanha.

Recebemos uma lista do CADES (Centro Acadêmico Dr. Ernesto Schlieper), que pediu uma ajuda financeira para a) bebedouros, b) kit de primeiros socorros com um aparelho de pressão, c) uma máquina de lavar roupa, d) um computador. Na última reunião da Diretoria pensamos que poderíamos pedir aos Ex-Alunos computadores que deixaram de ser usados e que ainda funcionem. Assim o CADES poderia instalar uma sala de estudos e de pesquisa para os estudantes mais humildes que não têm a possibilidade de adquirir uma máquina própria.

Na última assembléia da nossa Associação, em abril, tinha sido aprovada a restauração das quadras de esportes. Mas os orçamentos foram elevados demais. Como o professor Werner Hoefelmann está fazendo um ótimo trabalho de mutirão com os estudantes, resolvemos contribuir somente com os custos de material e do pedreiro para dar as devidas orientações. O mutirão será feito no começo do ano que vem, já que agora é época de provas.

A respectiva conta bancária para todas as doações vinculadas ou não vinculadas a uma demanda específica acima é: Banco do Brasil, Agência: 0185-6, Conta corrente: 69163-1.

É imprescindível que enviem para o nosso tesoureiro Gunther Sydow: g.sydow@yahoo.com.br um aviso sobre a data, o montante e a finalidade da doação.

Agradecemos por sua atenção e esperamos vocês no Dia dos Ex-Alunos, que queremos festejar com muita alegria. Vejam a programação no próximo AB.

Abraços,

Christiane Schlupp,

Presidente da Associação dos Ex-alunos do IPT.

São Leopoldo, Dezembro 2016